Mostrando postagens com marcador tardes inacabadas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador tardes inacabadas. Mostrar todas as postagens

14 de março de 2011

Tardes inacabadas - Parte VI

Era dia dos namorados. Eu tinha apenas dez anos e já era um apaixonado por ela. E era um sortudo, pois ela também era apaixonada por mim.
Quem não se lembra do famoso e tão esperado correio elegante? Ele era, e ainda é, a solução dos problemas de seres extremamente tímidos como eu. Tudo o que eu mais queria nos meus dez anos de idade era dizer pro mundo que eu a amava. E isso era mentira, porque o que eu mais queria, de verdade, era ser correspondido. Aproveitei o correio elegante e enviei pra ela: "Quer namorar comigo?"
Durante toda a noite, em casa, meu estômago doía e parecia saltar em direção à minha boca. Quanta ansiedade em esperar uma resposta. Cheguei acreditar que me casaria com ela. Cheguei acreditar que aquilo fora a pior besteira em toda minha vida. Acreditei que nunca teria uma resposta. Que todos zombariam de mim na sala de aula no dia seguinte. Que casaria com ela outra vez. Que escrevi o nome errado e que a menina mais feia da turma receberia meu bilhete. Depois de alguns momentos à sós no banheiro, com diarréia mesmo, consegui dormir.
No dia seguinte, finalmente na sala de aula, chega o intervalo e uma cartinha do correio elegante para mim. Era ela: "Sim."
Nunca mais falamos sobre esse assunto.

27 de outubro de 2010

Tardes inacabadas - Parte V

Eu era cristão. Não que eu não seja, mas antes eu devolvia ao mundo aquilo em que acreditava. Mário e eu saíamos da igreja quando encontramos Pedrão e seu professor de violão. Pedrão e Celso estavam pintando um muro. Mas não era uma pintura qualquer, era a propaganda de Celso. Este, o professor, era um cara excêntrico e tocava muito bem seu violão. Só possuía duas obcessões: Roberto Carlos e garotas.
Tinta pra cá, tinta pra lá, conversas sobre música pra todos os lados. De repente, uma menina bem (eu digo bem) feia passa.
"Três a zero" diz Celso.
Que porra de 'três a zero' ele quis dizer? penso.
"Três a zero, não! Dois a um! Essa mina olhou pra mim!" responde Pedro.
Meu Deus! Eles estão competindo quantas garotas passam e olham para eles... e olhar, provavelmente no sentido de paquerar. Tudo bem, tirando o fato de Celso ser cinquentão e gostar do Rei...

1 de outubro de 2010

Tardes inacabadas - Parte IV

Estávamos nós três sentados no bar. O telefone do Vini toca e ele sai do bar para atender. A garçonete chega e pedimos nossas cervejas (porque homens tomam cerveja). Mas antes de ela ir, tive uma idéia:
"Moça, traz uma xícara de leite pro meu amigo!"
Como eu sou legal...

31 de agosto de 2010

Tardes inacabadas - Parte III

"Vini, preciso conversar!"
"Diga, o que acontece?"
"..."
"Garotas, outra vez? Aliás, falta delas?"
"Não sei o que acontece: agora eu só penso em fazer bombas! Acho que essa parada de terrorismo internacional tá me influenciando."
"..."

29 de julho de 2010

Tardes inacabadas - Parte II

Nenhum de nós três tinha noção das horas. Pelo calor que o sol provocava em nossas cabeças, com certeza era uma daquelas horas inapropriadas para banho de sol. A única coisa que nos restava: pular no mar! Era fim de ano, na praia, um pouco de mar não ia fazer mal... até que o grande Thiago resolve paquerar.
Olhares prum lado, sorrisos proutro. Nós, como havia dito, éramos três. Elas eram duas. Mas o fato de eu sobrar não era o único impedimento. Sentia cheiro de coisa errada no ar.
"Velho, aquelas meninas estão dando sopa." disse Thiago.
Eu não precisava ter escrito essa frase por dois motivos. Primeiro: era óbvio; segundo: quem conhece o Thiago imaginaria a cena com essa frase mesmo estando fora do script.
Aproximou-se, trocou duas palavras, com certeza ouviu um 'não', ficou com cara de frustrado. Sua frustração pareceu aumentar e aumentar. Pareceu aumentar a ponto de virar desespero. E ele estava desesperado, mas não pelo não. Estava desesperado porque não sabia nadar e a maré o havia tirado os pés do chão. Não conseguia voltar. Não conseguia nadar. Estava se afogando.
"Socorro!" gritávamos eu e Mário.
Ninguém ouvia. Ninguém dava atenção. Nossos corações ficaram apertados pela sensação de perder um amigo. Mas uma esperança surgiu. Em cima de nossas cabeças um helicóptero do resgate passava naquele instante... sem dar atenção.
Thiago continuava a se afogar.

23 de julho de 2010

Tardes inacabadas - Parte I

Resolvi publicar uma série de textos antigos. Alguns deles postados em um blog anterior à esse aqui, outros escritos agora mas baseados nas histórias da adolescência.

Parte I

"Cara, eu não quero ter um carro!"
"Por que não?"
"Porque eu quero um ônibus. Exclusivo. Só pra mim!"
"Depois, sou eu quem estou bêbado..."
"Melhor... um metrô! Eu acho que todo mundo deveria ter um metrô particular!"
"Aham... Se liga... eu viro a cabeça, olha!, e a imagem vem depois!"
"Você já está assim?"
"É... que loucura..."