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10 de maio de 2011

De Volta ao Inferno

Passei duas semanas no planeta Terra. Encontrei seres humanos, civilizações de verdade. Lá, as pessoas eram educadas e gentis, as coisas funcionavam de verdade mas o trânsito era um pouco caótico também. Afinal, nem tudo é perfeito.
Eu não vi nenhum carro com adesivos de família ou frases idiotas. Também não vi nenhum assalto à mão armada. Os animais de rua, gatos e cachorros, eram gordos, simpáticos e bem cuidados pela prefeitura local. Ninguém os maltratava, pelo contrário.
Mas meu tempo por lá acabou e tive de voltar ao inferno. Quando fui bater um papo com Hades, pra me deixar entrar, percebi que ele havia ficado por lá.

17 de abril de 2011

Ódio incondicional - Parte I

Os pais amam seus filhos incondicionalmente. Independente das escolhas e condutas de sua prole, os progenitores os educam e os munem de valores morais de forma que criem a identidade de uma família. Assim como o amor incondicional, algumas pessoas nascem para cultivar o ódio incondicional.
Um exemplo dessas pessoas são as famosas mal-amadas. Por exemplo, aquela sua vizinha velha que não transa há anos e sofre de uma enxaqueca horrível. Ela atribui a dor de cabeça aos passos no andar de cima, à conversa no corredor, à música do vizinho ao lado. Mas se recusa a admitir que o excesso de nicotina no sangue provenientes da merda de seus cigarros, a falta de harmonia na família, a presença desgastante dos dois filhos solteiros e bastardos na casa vendo putaria o tempo todo na internet podem contribuir para essa, digamos, dor de cabeça.
Nasce então desse matrimônio do capeta com o coisa ruim as pessoas que nascem para odiar e serem odiadas incondicionalmente.

23 de março de 2011

Lentes

Hoje, eu comi a minha ultima lata de feijões. Os feijões estavam suculentos, mas eu conseguia sentir o sabor azedo dos fungos que emboloraram os pobres grãos. Fazer o que!? Ontem as pessoas admiravam um tal de grande irmão. Um cara babaca, dono de uma grande emissora de televisão que distribuía prêmios para o idiota que passasse mais tempo dentro de uma casa. Hoje, esse cara babaca nos dá ordens sobre o que fazer e quando fazer. Todos o odeiam. Mas odiá-lo é proibido. Então as pessoas odeiam umas às outras. É a válvula de escape normal de toda máquina.
Hoje, eu vi baratas. Baratas andando em meio a toda podridão desse mundo. Elas comiam os restos de tudo o que o ser humano jogava nas sarjetas. Restos de comida, de água potável, de esperança, de honestidade, de fé. Junto com as baratas, andavam outros insetos nojentos e alguns ratos. Dentre os ratos, alguns vestiam ternos e gravatas, como os porcos russos que viveram em meados do século dezenove.
Eu não tenho mais filhos. Não é permitido procriar. E mesmo que fosse, as condições ambientais e sociais não permitiriam que eles tivessem uma vida saudável. Ah! se eu tivesse votado em alguém decente quando era jovem. Ah! se eu tivesse enfrentado minha mãe e todas as donas de casa quando as via lavando as calçadas com mangueira.
Tenho certeza de que não sou louco. Apesar de estar internado na ala psiquiátrica do hospital militar, tenho certeza de que não sou louco. Quando eu era jovem, os presos políticos eram torturados até a morte em celas de prisões afastadas da cidade. Hoje, eles nos internam aqui. Tortura pior não existe. Ninguém acredita mais em nós, revolucionários. O grande irmão tem um laudo médico atestando nossa insanidade. Alguém se atreve a duvidar?

15 de fevereiro de 2011

Preparativos

T: Cara, eu nem imagino como é preparar um casamento!
V: Pois é... é mais simples do que você imagina.
T: Mas eu vejo você acabado, sem dormir...
V: Preparativos de casamento são como uma diarréia: vem tudo de uma vez, passa rápido pra caramba, depois que saiu você não consegue ver o que saiu e nem como saiu, mas que saiu, saiu! Ah... e as vezes dói um pouco também...

22 de dezembro de 2010

Ano novo

Branco nos traz paz. Vermelho traz amor. Verde, calma. Azul, maturidade. E assim continua a história das cores e a crença de atrair "bons fluidos" para o próximo ano. Basta nos vestirmos com uma roupa da cor daquilo que almejamos e, "pumba!", o próximo ano será promissor naquele campo de nossas vidas.
Enxergo dois problemas nisso. Primeiro: não existe uma cor que atraia coisas ruins? E se eu quiser me fuder no próximo ano? Ou odiar alguém? Ou ter azar no jogo como estratégia para ter sorte no amor? Não dá... nenhuma cor possui significado ruim! Droga! Mas esse questionamento não passa de um devaneio filosófico sem fundamento...
Segundo problema e real problema é: eu sou um homem de idade! Já consegui todo o dinheiro desse mundo, tenho a mulher mais encantadora e companheira que qualquer ser humano pode desejar, esperança não me falta e atingi todos os objetivos da minha vida. Não tenho o que almejar! Não quero paz, não quero esperança, amor, calma, dinheiro, espiritualidade, nada! E aí? Como fica essa história? Vou passar o ano novo pelado! Pronto...
Aguardem: dia primeiro de janeiro de 2011, postarei uma foto do meu reveilão nú!

13 de novembro de 2010

Marketing

Assim como as piadas, para uma campanha de marketing atingir seu objetivo e conquistar o público alvo, é necessário que exista uma identificação da mensagem do criador (fornecedor ou humorista) com o receptor (cliente ou platéia).
Podemos notar isso com essa onda de Stand Up comedy, onde os humoristas sobem no palco e não contam uma piada sequer e, quanto mais sério falam (por exemplo, política) mais risadas arrancam do público.
Um exemplo forte disso é o nome de um generoso prato de um restaurante/bar de Ouro Preto - MG. Sem mais palavras, leiam com seus próprios olhos e tirem suas conclusões!


23 de setembro de 2010

Até quando?

"Até quando você vai levando?"

O Brasil é um país fracassado. Fracassado por princípios. Somos um aglomerado de cidadãos descendentes de Europeus medrosos foragidos das grandes guerras ou descendentes diretos do 'estupro' dos portugueses durante a colonização. Medo é um princípio do brasileiro. Melhor ficar quieto e deixar pra lá o que nos ameaça.

"Até quando você vai ficando mudo? Muda que o medo é um modo de fazer censura!"

A compra de votos é uma prática comum por aqui. Nas eleições, vence o candidato com a melhor proposta ou que consegue arrecadar mais votos de maneira ilegal? Ou vence aquele que coage o caipira da cidade pequena a dar-lhe o voto por medo de possíveis 'conseqüências'?




"Aquilo que o mundo me pede não é o que o mundo me dá!"

Nossa sociedade está mais do que esquizofrênica. O atual líder é um representante do povo. Vindo da classe operária e representando o trabalhador, luta pelos interesses da classe pobre e ostenta mais o que há de melhor na classe rica. Estimula o pobre a não trabalhar dando uma bolsa pra quem faz mais filho.
Na candidatura ao senado, uma feminista apoiando um músico frustrado com antecedente de agressão à mulher. Para deputado federal juntam-se músicos, palhaços e gostosas analfabetos, ops, semi-analfabetos!



"Muda que quando a gente muda o mundo muda com a gente!"

Será que queremos mudar? Melhor: será que estamos prontos pra mudar? Pra cuidar do que é da gente? Melhor mesmo é engolir quieto tudo o que nos é dado e ficar contente com a programação de domingo à tarde nas TVs da família brasileira...

(Texto em destaque: Até Quando? - Gabriel O Pensador)

19 de setembro de 2010

Nunca

... e quando apuraram os últimos votos confirmaram a situação inédita no país: os votos nulos para o cargo de presidente da república somaram mais de cinqüenta por cento dos votos!
O Brasil mudara. O povo passou de "aqueles que só reclamam, fazem por merecer e continuam sendo usados" pra "aqueles que tem o mínimo de consciência e não engolem mais o que nos oferecem sem ao menos questionar".
Os candidatos à presidência não entendiam por que suas campanhas não foram efetivas o suficiente. Talvez seja coisa daquele tal que foi eleito há alguns anos e investiu seriamente na educação. Com o povo mais instruído, o país nunca mais seria governado por pessoas individualistas.
Mas não aconteceu. O povo não está melhor instruído, a qualidade de vida continua péssima, ninguém investiu seriamente em educação, os mesmo de sempre continuam no poder e a gente continua conformado esperando que um dia nossa vida possa melhorar.
Enquanto isso, votemos no "menos pior".

13 de setembro de 2010

Segunda-feira 13

Segunda-feira, treze de setembro e mais um dia normal se iniciava na vida de João, o cidadão comum. O que ele não esperava eram os fatos que sucederam o café da manhã comum, com pão e margarina e leite comuns, foram muito anormais.
Jack, o patrão maldito, o esperava em seu escritório. Esperava ansiosamente para lhe dar um dia horrível. Iria torturar João com seus trabalhos inúteis, suas exigências sem nexo e com seu cigarro maldito, violando a lei anti-fumo da cidade de São Paulo.
O patrão não tinha nenhuma serra elétrica e nenhum utensílio de corte em sua sala. Seu grande objetivo era fazer João e seus outros quarenta e dois subordinados desejarem ansiosamente o sábado, assim como odiava a semana em sua época de funcionário.

11 de agosto de 2010

Desabafo

Em um dia normal, durante uma conversa normal entre duas pessoas normais utilizando um messenger normal numa conexão normal com a internet:
A: Cara, você reza?
B: Não e você?
A: Às vezes. Mas não que eu acredite em Deus ou que eu tenha uma religião, sabe? Eu fiz primeira comunhão, depois meus pais viraram evangélicos e eu freqüentei a igreja com eles. Um dia tive uma namorada umbandista e pratiquei com ela por uns tempos... depois teve esse filme do Chico Xavier e, quando eu vi, senti algo se completando em mim: fui conhecer também! Mas hoje estou praticando meu lado meio zen. Quer ir conhecer aquele templo budista em Cotia?
B: Não.
A: Ah, é que...
B: Aliás, não gosto de religião e de nada que diga o que devemos fazer, o que devemos ser e como devemos agir!
A: É! Eu acho que o amor...
B: Inclusive as leis! Acho tudo isso uma babaquice!
A: Verdade... o homem é um tanto...
B: Já parou pra pensar? Não gosto de regras! Inclusive as do Banco Imobiliário! E se eu quiser andar no sentido anti-horário? E se eu quiser colocar casinhas na prisão? E se eu estiver muito rico e quiser dividir meu dinheiro, isso ainda é Revés? E se eu quiser?

25 de julho de 2010

SMS da Oração

Depois do serviço divino sucesso em vendas, Drive-Thru da Oração:



Estamos lançando o SMS da Oração! Basta você enviar um torpedo com o texto SEU NOME para o número 21666 que você, todos os dias em seu celular uma oração nova. Temos oração de agradecimento, de pedido, de súplica, de perdão, de desespero, oração especial dos desempregados e muito mais. Leia agora alguns depoimentos de quem já conhece o nosso serviço.

"Meu nome é W. da S., tenho vinte e quatro anos, sou pai de três filhos e estava desempregado. Assinei o SMS da Oração e na mesma semana recebi quatro proposta de empregos. Graças ao nosso Senhor, minha vida está curada."

"Sou K. O., mãe solteira, sete filhos, vinte e nove anos e sofro de uma doença muito grave. Muito grave e rara. Tão grave e tão rara que nem sei falar o nome dela direito. Há um ano, o doutor me disse que tinha apenas seis meses de vida. Na véspera de minha morte, eu assinei o SMS da Oração e estou viva até agora. Esse serviço é abençoado."

Contrate o SMS da Oração você também!

Este serviço tem o custo semanal de apenas R$ 45,00 mais impostos regionais. Para validar o serviço, é necessário um depósito bancário mensal de apenas R$ 80,00 no banco da nação, agência 139 e conta corrente 21666-0.

18 de julho de 2010

Ger... o que?

Aos acadêmicos da Língua Portuguesa:

Pelo amor de Deus, estejam alterando as regras gramaticais e estejam fazendo com que o gerúndio esteja estando correto de agora em diante!

15 de julho de 2010

Pra panela, baby!

É um alien? É uma lula? É um polvo??? Nããããããão! Uma alienação! Alienação: mistura de alien com polvo vidente com lavagem cerebral com Copa do Mundo de futebol.
Estudos dizem que Paulo, o polvo, não sobreviverá até a próxima Copa do Mundo em 2014, no Brasil. Não foi nenhum vidente e nenhum cartomante e nenhum apresentador de TV que faz fofoca de famosos quem disse. Os tratados de biologia dizem que o tempo médio de vida de um polvo varia entre três e cinco anos. O que indica que até lá, Paulo já virou petisco de verão.


Mas não tem problema. Em 2014, por incrível que pareça e por pura (puríssima) coincidência, será ano eleitoral. E para manter a tradição da política do "pão e circo", quero dizer, da boa vizinhança, arrumaremos outra atração.
Quem sabe até lá não se crie um reality show para eleger o novo vidente da Copa. Um Big Beast Brasil ou, simplesmente, achem um gordinho com cara de bobo que seja bastante engraçado.

25 de junho de 2010

Revirando o Túmulo

Não gosto de vuvuzelas. Não gosto de futebol. Tampouco sou patriota. Fato! Mas no último jogo do Brasil na Copa do Mundo de futebol me diverti com os amigos ao curtir o gol da seleção brasileira e assoprar uma cornetinha que fazia som de elefante com diarréia. Hipocrisia, não?
Ouvi uma piada dizendo que vuvuzela é igual masturbação, só é bom pra quem pratica. Enfim, mesmo assim, continuo a odiá-las. Optei ficar em casa para trabalhar durante o jogo e poder assistir alguns lances também. Mas esses vizinhos filhos-da-puta não deixam minha concentração co-existir com o futebol. Parem com essas vuvuzelas malditas!
Ao me irritar com esse barulho, que mais parece uma mosca gigante, lembrei da Copa de dois mil e dois. Antes dos jogos do Brasil, meu irmão e eu saíamos de carro tocando como loucos as vuvuzelas cornetas, na época chamavam-se apenas cornetas.
Era uma época feliz. Vibrava, torcia, sofria, gritava, apostava... Hoje, digo que não gosto. Mudei? Esse cara de antes ainda existe aqui dentro? Não sei e não pretendo saber.

14 de junho de 2010

Eu sou. Ele é. Somos todos.

Me escondo atrás de um nome, não tenho culpa disso. Poderia trocar o que quisesse: o nome, a família ou a cidade. Mas não trocava nem de casaco nos últimos dias. Estava cansado como um rato na roda. É junho e quase inverno. Estão me culpando de tudo. Não sinto mais medo de nada, apenas sede. Nunca soube o que quis ser quando crescer. Nem sabia se queria crescer um dia. Queria ter dezoito, não menos que isso, era uma liberdade programada. Poderia beber e dirigir. Não bebo. Dirijo sem licença.
Sinto que sou diferente. (Mas... diferente do que? me pergunto) Diferente. Simplesmente. Essa é a resposta... Sinto asco quando ligo a televisão por acaso e vejo algo que atrai a atenção da massa. Não consigo ficar tranqüilo entre o comum. Não consigo instalar um puta som no carro porque é legal. Não consigo me divertir depois de beber muito porque é legal. Eu não acho legal porra! Sou eu. Eu sou assim. Eu sou! Único. Oras tenho tanta raiva que fico a pensar sobre os outros. Não que eu os ache menos ou me ache mais. Respeito tanto como gostaria de ser respeitado. Apenas que não consigo entender e entrar nesse fluxo.
Quase que como sob a vigilância de uma teletela, me pergunto: será que não conseguem perceber sua alienação, seu condicionamento?

"Você tem consciência de estar condicionado? Esta é a primeira coisa que você deve perguntar a si mesmo, e não como se libertar do condicionamento. Pode ser que você nunca se liberte, e se você disser: 'preciso me libertar', poderá cair em outra armadilha de outra forma de condicionamento." (Barry Stevens)

Nossa! Será então que o meu ser diferente não passa de uma alienação em estar distante? Uma antialienação, talvez... mas tão condicionada quanto. Condicionado ou não pelas mesmas regras (moral, legislação, massa), condicionado.
Soa bem clichê esse papo do ‘não sei quem sou’ ou então ‘sou diferente’, é a moda. Ser out, fora do padrão, todos sendo diferentes juntos, já perceberam? Posso não gostar da banalidade da televisão, das músicas do momento e me sentir deslocada em meio à mania nacional, enfim, ser diferente da massa, me distanciar do centro. Porém, posso reclamar do meu emprego, odiar acordar cedo e beber coca-cola igualzinho milhões e milhões fazem todos os dias. O que me torna diferente então? Nada. Não tenho essa pretensão. Não tenho nenhuma. Não deixo de estar errado e não me basto estando certo.

“Não me suporto nem me perdôo de ser como sou sem solução.” (Caio Fernando de Abreu)



Texto escrito à quatro mãos por Débora WobetoVinícius Maltarollo

7 de junho de 2010

A Copa

Tenho orgulho de ser brasileiro. De me ocupar com coisas que não acrescentarão nada em minha vida. De ser caloroso demais com coisas que são, na verdade, frias. 
Tenho orgulho de ser emotivo demais, de confundir assertividade com agressividade e achar que o outro é "grosso". Tenho orgulho não saber dizer não.
Tenho orgulho de ser lutador, de viver com raça e conseguir tudo o que quero. Sem me importar com os meios, pois afinal, os fins os justificam.
Desculpem-me o transtorno e me dêem licença, pois vou parar de falar bobeira e ir pegar um café na copa.

24 de maio de 2010

Eu não sei quem sou

Eu não sei quem sou. Acho que nunca soube. É possível que nunca saiba. E o pior: talvez nunca questione isso tudo!
Comprei um celular igual ao do meu melhor amigo. Ele tem toques polifônicos!
Eu estudo porque minha mãe me matriculou em uma escola. Ela talvez não saiba o porque fez isso... Somente o fez. Meu pai quer que eu seja engenheiro ou segurança do shopping. Igual a ele. Deve ser por isso que minha mãe me colocou na escola. Vai saber!?
Eu gosto de sucrilhos.

21 de maio de 2010

Limite

As vezes a vida tem alguns limites. Mas seus limites não são tão estreitos e pontuais como o nosso senso de moral e nossa ansiedade percebem. Também não são exatos. É só parar e imaginar algumas situações: Qual é o limite entre o claro e o escuro? Qual é o limite entre a sanidade mental e a loucura? Entre o certo e o errado?
Talvez fosse o limite do cartão de crédito ou do cheque especial. Ou então o limite de velocidade de uma avenida qualquer. Ao menos um limite de dosagem de medicamento.
O limite a qual me refiro é único e simples. Limite é limite por si só. Divisão, fronteira, marco... Quando se pesquisa no doutor Google, o primeiro resultado é da sua parente, Wikipedia, falando sobre limite matemático. Cálculo que nunca aprendi... Nos dicionários, os conceitos se referem à limites físicos, superficiais, limites de grandeza. Ou seja, mensurados e determinados pelos homens. Alguns são frutos da natureza, como as praias e as taxas hormonais. Mas não deixam de ser observados e interpretados pelo homem.
Limite é apenas um condicionamento que criamos para nos permitir ou não tomar determinadas atitudes e seguir certas linhas de raciocínio. Condicionamento, nada mais que isso.
Limite de territórios: se ultrapassar, paga imposto! Limite de faltas: se ultrapassar, reprova de ano!
Meu limite? Deixar de ser limitado... Redundante e praticamente impossível, reconheço...
E você, qual é o seu limite?

16 de maio de 2010

Pra Virada com Cereal

Afinal, o que é cultura?
Costumes e tradições artísticas de um povo são considerados as formas de expressão e, muitas vezes, transmissão de sua cultura. Grandes metrópoles em geral não possuem uma cultura bem determinada. Em partes porque a população é constituída por emigrantes e imigrantes de diversas localidades, e em partes porque as pessoas acabam não tendo tempo pra pensar e, muito menos, manifestar tais costumes e tradições.
Podemos concluir que essa variedade de origens acabam por formar uma sociedade "sem" cultura ou com subculturas de subgrupos dentro desta ampla massa?
Impossível! Simplesmente.. Não há de existir uma sociedade sem cultura. Podem, sim, existirem subculturas mas todas elas contribuem para a caracterização de uma cultura maior. Certas vezes, quase inobservável. Qual é então a cultura, a tradição em comum desse povo paulistano?
Esse fim de semana foi possível observar, de uma forma bastante genuína, a cultura paulistana. Ricos e pobres, jovens e velhos, moradores de rua e playboys, heteros e gays, rockeiros e não-rockeiros, bêbados e ébrios. Todos unidos pela arte. Artistas conhecidos, independentes, bons e ruins. Cada um em seu canto, em seu palco, mostrando seu talento e o povo de coração aberto pra receber suas mensagens.
O povo, sem maldade e só com vontade de se nãdivertir, andava pela avenida São João onde, num dia comum estariam milhares de automóveis. Se eles pensam ou não, se são mais ou menos, se trabalham ou não pagam as contas, não importa! Consciente ou não, essa moção que une as pessoas em sua essência é a nossa cultura. Viva São Paulo, a cidade dos sonhos! ... (e dos pesadelos)

2 de maio de 2010

Viceral

Parecer bobo, soar infantil, envergonhar-me, arrepender-me. Nunca! Eu só senti raiva. Não fiquei chateado, fiquei enfurecido. Tive vontade, sim, de ver destruição. Vontade de bater, ofender, desruir, matar, quebrar, extravasar. Confesso que essas vontades não são nobres e nemtanto admiráveis. Mas foram genuínas... Me pergunto: até que ponto o homem respeita sua individualidade?
Durante o acesso de fúria, questionei o sistema brasileiro. As pessoas vivem em função de objetivos de vida medíocres: ter isso, ter aquilo... quando existe um ser em meio aos objetivos, o ser é comparado à algo ou alguém. Disse que não queria viver mais aqui. Poderia ser um homem-bomba do Afeganistão, mas queria sair desta panela de pressão. Uma amiga, então, disse-me o quão mesquinha fora essa observação pelo fato de querer fazer mal à alguém, como por exemplo, matar. Sinceramente, acredito que o homem-bomba mata, mas morre feliz. Pois vive em função de realizar um bem aos seus ideais. Vive e assume sua vida e seus atos autenticamente.
Se todos pudessem ter suas iras e usar essa energia em função de atingir seus objetivos (nobres, por favor) o mundo seria muito, muito diferente. Segue o pensamento mais digno que um homem deveria ter:

"Haverá por acaso algo que destrua alguém mais rapidamente do que trabalhar, pensar, sentir, sem uma necessidade interior, sem uma escolha profundamente pessoal, sem prazer, como autômato do 'dever'? Eis precisamente a receita da décadence, da própria imbecilidade..."
(Friedrich Nietzsche)

Juro odiar menos se um dia tiver mais de mil acessos neste post e, de alguma forma, essas palavras do Frederico fizerem ecoar algo de positivo na vida de cada leitor.